sábado, 10 de setembro de 2011

Desajustados

Marilia Dalenogare





Agora vamos falar de Misfits, não a banda, a série. Para definir melhor a série, eu vou buscar o seu significado, a sua definição diretamente do dicionário, o qual nos diz que Misfits é algo “que encaixa mal”, “não ajusta bem”, no caso da série são “os que” não se ajustam bem. É isso, Misfits é uma série britânica, de 2009, que na verdade é bem curtinha, além de só ter 2 temporadas, ao todo ela só tem 13 episódios, mas são 13 episódios bem legais. Eu não sei direito o que falar, é uma série meio diferente, com um argumento diferente, mas inteligente, que de alguma forma funciona, deve ser o humor.
A série conta a história de 5 jovens delinqüentes que se conhecem quando vão cumprir seu serviço comunitário em um centro meio estranho e quando estão lá acontece uma tempestade, mais estranha ainda, onde eles são atingidos e ganham poderes, tipo, viram super heróis, sem serem heróis. E é a partir dessa premissa que a série se desenvolve.
Pra começar o sotaque deles é ótimo, eu estranhei muito no começo, mas depois a gente acostuma e acha até charmoso, em segundo lugar os atores fogem totalmente de jovens estereotipados e dão um ar mais real pra toda aquela doideira, eles não são todos magros, lindos ou corretos. Na verdade todos eles são meio vagabundos.
O modo como eles vão descobrindo seus poderes, o que isso acarreta e tal é a narrativa, mas o roteiro conseguiu ser original, os diálogos são bem inteligentes e tem um toque de humor, humor negro, o humor negro inglês, claro, mas é bem engraçado, principalmente o ator Robert Sheehan, que interpreta o Nathan, ele realmente é um ser engraçado, muito, na verdade. Os outros atores não são tão engraçados, mas são realmente bons, e quando precisam mostram que tem timing cômico também.
Eu não tenho muita experiência com séries britânicas, ok, não tenho nenhuma experiência, até baixei Skins, mas não vi ainda, mas todo mundo fala que elas são ótimas e tal e que estão se desenvolvendo bem e que tem futuro, concordo com eles.
Tem algumas cenas que são simplesmente hilárias, não vou conseguir lembrar de todas, mas a maioria delas envolve o Nathan, uma delas é uma suposta paixão dele por outro personagem, todo o tempo que dura é hilário e outra é quando ele resolve se bronzear na laje, passando protetor. Elas realmente valem a pena, entre outras que não lembro agora.
Ah, a série é meio sacana também, mas na medida certa, não é nada pornográfico, explicitamente, é só sacana. Então é isso, não tenho mais o que dizer, fica a dica.

Marília Dalenogare.

sábado, 13 de agosto de 2011

Infinita Playlist

Marília Dalenogare


Eu sei que todo mundo acha o Michael Cera um guri meio idiota, com cara de pamonha e que sempre faz os mesmos papéis, o nerd, que geralmente adora música, ok, eu também acho isso, mas, além disso acho ele bem charmoso também, e um queridão, não sei dizer se ele é um bom ator, pois ele ta sempre naquela sua zona de conforto a qual ficou conhecido, pra sempre o menino tímido. Mas, posso dizer que gosto desse seu personagem e a partir disso descobri um filme dele que eu particularmente adoro, o queridíssimo e charmoso “Nick e Norah - Uma noite de amor e música”, filme de 2008 que ele estréia juntamente com a Kat Dennings.
De tão simples o filme esteticamente e de muitas outras formas falando ele se torna diferente e mais do mesmo, ao mesmo tempo, não sei explicar, mas vou falar sobre ele. É uma história que acontece em uma noite, uma noite para os jovens como ele. E a propósito, eu adoraria que as minhas noites fossem que nem as deles, caminhando por Nova York, ou por essas outras cidades americanas que resultam em uma locação ótima e badalada, que eles sempre arranjam, como se tudo que a gente quisesse pudesse estar em uma quadra só, todos os pubs mais legais, as lanchonetes, os shows e o mundo todo.
O Nick e a Norah, os protagonistas, se conhecem em um desses lugares e com a ajuda do destino e dos amigos deles acabam meio que saindo juntos em busca de um show de uma banda, e assim a narrativa vai indo, quando a Norah perde a amiga dela em algum lugar da cidade, eles saem para procurá-la e é no meio dessa busca que eles vão se conhecendo e se entrosando e falando sobre afinidades e coisas do tipo que são muito bem construídas para esse tipo de história, sempre bolam umas frases ótimas, que se encaixam como uma luva para a situação, ficção é ficção. E pra mim, é nesse ponto que o filme me ganhou, nessas voltas pela cidade em busca da amiga pirada dela, em um carro minúsculo e falando de coisas divertidas, o tipo de coisa que todo mundo sempre gostaria de fazer, simplesmente achar alguém que parece ser sua alma gêmea musical e cultural e pessoal e tudo o mais. Nada mais do que isso, até porque o filme não é muito longo e tem o tempo certo, o qual não se salva dos clichês, mas também não se afoga neles, adoro metáforas.
E também é um filme bem econômico, que não tem locações, figurinos, efeitos, e nada muito caro, um exemplo de menos que é mais. Como já era de se esperar a trilha sonora do filme é ótima, como geralmente esses filmes vendidos como independentes têm, eu acho que nesse tipo de produção antes mesmo de achar os atores eles arrumam as músicas, tenho essa sensação.
Os atores são jovens e divertidos, bons atores para os papéis, o resto do elenco também é divertido, mas sei lá, pra mim o filme é do casalzinho, e os outros são também meio idiotas. Sei lá, independente de alguns quesitos básicos de técnica e tal, eu geralmente gosto desses jovens e atores, eles são tão bonitos, e podem não atuar muito bem, mas são meio expressivos e tal e parecem tão felizes, o tempo todo, independente de seus dramas, eles são quase um musical, sou um coração mole, fazer o que, muitas vezes são tão expressivos quanto uma coruja, mas me conquistam igual.
E pra voltar ao falar do que nos trouxe até aqui, esse é um exemplo de um dos papéis do queridão Michael que eu adoro, entre os seus personagens em Juno, Superbad, Scott Pilgrim e outros dramas adolescentes protagonizados pelo jovem idoso nerd.

Marília Dalenogare

domingo, 12 de junho de 2011

Adele

Marília Dalenogare

As melhores músicas geralmente saem de um pé na bunda bem dado. É uma realidade, o que nos faz torcer secretamente e egoistamente para que nossos artistas preferidos não achem tão cedo a tampa da sua panela, pelo menos não antes de lançarem uns 10 cds e a gente já não poder mais ouvir falar deles. É nesse contexto que se encaixa uma cantora simplesmente incrível, da qual venho falar agora, nossa querida e rejeitada Adele. Pois é, a pouco tempo soube que ela está liderando as paradas de muitos países, principalmente os britânicos, pois ela é de lá, e não é de se surpreender, você entende o sucesso dela a partir do momento que ouve a poderosa voz de Adele.
Apesar de estar bombando em premiações por aí, e de já estar no ramo há algum tempo eu nunca tinha parado pra realmente ouvir Adele, e não sei por que, um dia parei. Adele é uma linda, mas pelas suas roupas sérias, seu vozeirão, seu cabelo e maquiagem ela representa ser mais velha, minha surpresa foi descobrir que ela tem apenas 23 anos, e uma carreira que está só no início. Adele canta geralmente sobre amor, sobre o amor que acabou, com ares vingativos ou não. O genial dela é que além de usar todo o potencial da sua voz, sem medo, sem se esconder por trás de instrumentos, ela mistura ritmos, sons, ela é rock, soul, blues, R&B, e muito mais.
Ninguém nunca cantou tão bem uma vingança como Adele em “Rolling in the Deep”, que além de ser a mais conhecida dela é simplesmente incrível e contagiante, com um ritmo que te faz cantar junto. Mas mesmo com as suas canções mais agitadinhas, são suas baladas românticas e sofredoras que nos deixam com vontade de chorar de tão lindas, pois independente do se estado de espírito Adele canta com autoridade, são canções como “Someone like you”, “Don’t you Remember” além de muitas outras como “Chasing Pavements”, “Turning Tables”, “Make you feel my love”, “Set fire to the rain”, etc.
Não tem como ouvir os versos de Adele e não te fazer lembrar coisas e pessoas, e até se emocionar, pois ao ve-la cantar algumas músicas temos a sensação que ela vai cair aos prantos, uma loucura. São versos como “nós poderíamos ter tido tudo”, “imaginava que ao ver meu rosto você se lembraria do que, para mim, não está acabado”, pois é, poesia pura.
Ao anunciar Adele na apresentação do Brit Awards de 2011, James Corden disse tudo “Não há nada como a sensação de quando você está ouvindo uma música, escrita por alguém que você não conhece e que você nunca conheceu, mas que de alguma maneira foi capaz de descrever exatamente como você se sentiu em um particular momento de sua vida. Se você alguma vez teve o coração partido, você irá lembrar disso agora”.
Mas não vão até Adele com a mentalidade do barulho, da gritaria, Adele é incrível, mas é pra quem gosta, ela é calma, ela é seu vozeirão, acompanhado do piano muitas vezes. Adele é parar para ouvir. Eu gosto bastante, mas admito que sou uma romântica incurável.

Marília Dalenogare.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dr. House



“Todo mundo mente”, “Pessoas não mudam”, "Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo!", "É uma verdade da condição de ser humanos que todos mentem. A única variável é sobre o quê”, "Mentiras são como as crianças: apesar de inconvenientes, o futuro depende delas”, "Eu gosto mais de você agora que está morrendo", "Como pode Deus levar os créditos quando alguma coisa boa acontece? Onde ele estava quando o coração dela parou?".
Essas são algumas das ideologias de um dos personagens mais inteligentes e mais interessantes da TV. O Doutor Gregory House, mais conhecido como Dr. House. Dr. House é uma série americana que está no ar há 7 temporadas, desde 2004. A série é tipo um sucesso desde o começo e é fácil entender o porquê disso.
A série tem como pano de fundo um hospital, onde tudo acontece, pois é uma série médica, onde a maioria, ou quase todos os principais personagens, são médicos que através de seu cotidiano, do dia-a-dia do hospital acabam tentando resolver seus problemas pessoais da melhor forma possível. Tentando conciliar sua vida particular e sua vida profissional. Além do drama dos personagens a série também nos possibilita uma verdadeira aula sobre medicina, com diagnósticos diferenciados e situações totalmente estranhas/bizarras.
Além do gênio difícil do House, como se isso não bastasse, ele ainda se envolve com drogas, não consegue ter/manter relacionamentos saudáveis, acaba se envolvendo com polícia, processos, e tudo o mais. Ou seja, tem muita coisa que acontece no seriado, que não deixa ele cair na monotonia, se tornar um mais do mesmo chato.
O protagonista é o Dr. House, um médico extremamente sincero, mal humorado, egocentrista e que literalmente se acha um Deus, alias ele não acredita em Deus, como era de se imaginar. Ele não respeita leis, nem a ética, não respeita os direitos dos pacientes, não ouve ninguém, acha todo mundo imbecil e é insuportável. Mas ele tem um diferencial que salva ele da demissão, ele é o melhor, com seu jeito alternativo ele salva vidas que provavelmente morreriam sem seus métodos ousados e estranhíssimos.
Além disso, o elenco da série é realmente ótimo, todos eles já estão bem à vontade nos seus papéis, também, depois de 7 temporadas. O roteiro é inteligente, o House não é só um idiota maluco que sai fazendo o que quer, ele tem suas teorias, suas ideologias, as quais o roteiro sempre usa de uma forma incrível. Vale a pena conferir, o que foi dito aqui não é nada perto de tudo que a série oferece, perto de todas as surpresas, as situações em que os personagens se envolvem.

"Você pode ter a fé quer quiser em espíritos, em vida após a morte, no paraíso e no inferno, mas se tratando desse mundo, não seja idiota. Porque você pode me dizer que deposita sua fé em Deus para passar pelo dia, mas quando chega a hora de atravessar a rua, eu sei que você olha para os dois lados."

Marília Dalenogare

domingo, 8 de maio de 2011

Namorados para Sempre? Vai sonhando.




Um dos filmes que foram lembrados nas indicações ao Oscar, na categoria de melhor atriz, e que muita gente nem deu bolas é “Blue Valentine”, que no Brasil teve o título de Namorados para Sempre. Dã. Sinceramente às vezes parece que quem traduz esses títulos faz isso chapado. De boa. E olha que eu não acho sempre os títulos péssimos, às vezes eu acho que é melhor a adaptação que eles fazem, até por uma questão comercial, ou uma questão de entendimento do público, mas nesse caso sinceramente não. Eu tenho pena dos casais de namorados que foram ao cinema assistir esse filme achando que era uma comédia romântica, eles encontraram uma visão amarga de como pode ser a vida deles e de como provavelmente vai se tornar a vida de muitos. To meio pessimista hoje.
Para começar o filme tem ótimos pôsteres, de verdade, os três diferentes que eu vi eu achei lindos, pode parecer bobagem, mas é importante, e o roteiro também agrada. Mas a grande força do filme vem de seus protagonistas, os ótimos e lindos Ryan Gosling e Michelle Williams. Sempre gostei do Ryan, desde Diários de Uma paixão, A garota ideal e umas coisinhas a mais. Já Michelle eu não gostava muito, não sei por que, mas ultimamente mudei minha idéia e quase já gosto dela, me lembro dela em O segredo de Brokeback Mountain e em Sinédoque, Nova York, onde gostei bastante dela em ambos. Pois é, esses dois atores encabeçaram essa história, que narra a vida deles juntos, hoje em dia casados, mas desde que se conheceram, narra de uma forma não-linear como tudo aconteceu, e o ponto em que as coisas chegaram. Nos é mostrado que desde o começo as coisas começaram erradas e mesmo assim eles se contentaram com isso e resolveram constituir uma família que aos meus olhos é toda errada, e não tem como dar certo. O clima pesado, a tensão é gritante em cena.
Para começar a personagem de Michelle nunca esteve contente com nada, mesmo antes de conhecer seu marido, a infelicidade, o cansaço nunca abandonou as feições dela, o olhar dela sempre foi magoado, no meio disso ela conhece o personagem de Ryan e ele sim, era um cara animado e que realmente gostava dela e que acabou se prendendo naquela teia desconfortável ao redor dela e não saiu mais, eles montaram uma família, ela segue infeliz, rabugenta e ele segue tentando conquistar, agradar ela. Basicamente ele passa o filme todo correndo atrás dela e ela fugindo dele. È um jogo de cão e gato que a gente torce para que acabe.
O filme nos mostra muito bem, o que geralmente acontece quando dois jovens que mal se conhecem acabam tendo um filho e meio que se obrigam a ficar juntos. Os dois tinham sonhos, que foram adiados pelas necessidades da família. Eles se acomodaram naquela infelicidade, realmente me incomodou ver eles dois juntos, a distância deles, e como eles se tratam, principalmente ela, tão seca e fria. A única luz que nos aparece naquela casa cinza deles é a filha deles. Tanto ele, quanto ela tem uma relação ótima com a filha. O que nos mostra que o problema é entre eles, desde que eles fizeram o “acordo do silêncio e do contentamento”, ela se contentou que ele criasse a filha que ela nem sabia de quem era e ele se contentou em criar essa filha para ficar com ela. E nada disso se discute.
Mas apesar da tristeza que o filme passa ele é incrível, o jeito como as relações precipitadas são tratadas, como a gente pode se acomodar na vida. O filme é um tapa na cara, de certo modo. Simplesmente ele mostra como tudo se torna amargo, o amor, as relações, se a nossa vida é amarga. Como não basta o tentar ser feliz junto, se a gente não for, primeiramente, feliz sozinho.

Marília Dalenogare

sexta-feira, 6 de maio de 2011

OBRIGADA, MAIS POR FAVOR?




Em uma dessas minhas super conexões dentro do Filmow, muitos links e aquela teia onde a gente entra para ver um filme, daí ve o que aquele ator fez, entra em algum filme dele daí já vai para outro ator, e daí você nem sabe por onde começou naquele site do demônio para quem gosta de cinema. Foi assim. Foi assim que eu descobri um dos filmes que mais me agradaram ultimamente. Na verdade eu parti de um ponto, pois o protagonista, o roteirista e o diretor são a mesma pessoa, um ator que eu gosto de uma série que eu gosto, ele é o Ted de How I Met Your Mother, o nome real dele é Josh Radnor, e o filme do qual eu vou falar é “Happy thank you more please”, é isso mesmo o nome do filme, por enquanto sem tradução ainda, na verdade tenho um pouco de medo do que eles podem fazer com um título assim. Meio tenso.
Mas vamos ao filme, ele é um filme ou do ano passado ou do começo desse ano, não sei bem, pois achei dados diferentes na internet, um filme que acontece em New York (primeiro ponto positivo), não tem muitos atores famosos e conta a história de Sam Wexley um escritor de contos, que está tentando vender romances, e que acaba tendo encontrando um garoto perdido no metrô ao ir para uma entrevista de emprego. Na tentativa de conciliar a sua entrevista e devolver o garoto para sua família ele acaba fazendo tudo errado e fica com o garoto, sempre com o intuito de devolver a criança para a assistência social mas protelando isso e se apegando cada vez mais ao garoto. Em meio a isso ele ainda conhece uma garçonete/cantora em um bar e tenta iniciar um relacionamento com ela. Além do garoto e da cantora, Sam ainda tem uma melhor amiga que vive chorando suas pitangas para ele. Basicamente no filme todo Sam busca achar um caminho, tanto para a criança, para a namorada e para a amiga. Fora todos esses personagens mais ligados, o filme ainda tem um espaço para outro jovem casal, amigos de Sam também, mas nem tanto, casal esse que descobre que cresceu e que a hora de pensar no futuro é agora.
Além do longa ter uma fotografia legal, nos mostrando partes de New York, de ser um filme simples, onde a história contada não tem enrolação, são relacionamentos complexos que o filme apresenta, mas complexos por causa dos personagens, eles são complexos, por tudo o que viveram e pelo modo que ainda vivem, mas o filme em si, o roteiro, não complica nada, deixa tudo muito frouxo (no bom sentido), onde as coisas vão acontecendo como tem de acontecer, sem grandes viradas e grandes transformações, mas com adaptações dos personagens para certos tipos de relacionamentos, eles simplesmente não mudam completamente no filme, seu caráter, sua personalidade, como em outros longas, eles se encaixam, se adaptam as outras pessoas com as quais eles querem viver.
Ao invés de nos forçar aqueles personagens bizarros garganta a baixo Josh Radnor, como roteirista do filme, nos cativa com eles, pela suas inseguranças, pelo medo de mudar e de sofrer que eles mostram ao encontrar alguma situação com a qual eles não estão acostumados.
Não tem como não gostar desse filme. Não tem como não ficar torcendo para Sam superar seu medo a compromissos sérios, seu medo do desconhecido que acaba tornando-se conhecido a ele através do seu relacionamento com o garoto. Como em uma cena a namorada dele nos diz que ela quer um romance, e ele só pode oferecer um conto. Algo assim.
E quando o filme acaba, ele poderia ter continuado, pois com a resolução daqueles problemas, novos virão, e depois outros, é assim que acontece na nossa vida e é assim que acontece na vida de Sam.

Marília Dalenogare.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Lago dos Cisnes




É estranho e assustador ver como a nossa mente pode dominar totalmente o nosso corpo. Como a gente pode se tornar refém de si mesmo. Como se fossem duas coisas separadas e não um conjunto, uma lutando contra a outra, por vezes como inimigos. É isso que vemos no fantástico Cisne Negro, um filme que vem ganhando a atenção que merece, pois é uma obra fantástica. A trama aborda divinamente a obsessão dos artistas em se destacar e sempre fazer melhor.
A trama conta história de uma bailarina inocente, esforçada e sem vida própria vivida pela Natalie Portman, que é totalmente dedicada ao balé, por vezes de uma forma insana, totalmente submetida a sua mãe, que vive pelo sucesso da filha por ter tido sua carreira interrompida ao dar a luz. Assim, ela deposita os seus sonhos em Nina, o que acaba se tornando um fardo pesado demais.
Mas apesar dessa definição dada acima, isso é somente o plano de fundo para o argumento do filme, a história pode parecer previsível, mas realmente não é. Ela conta a luta na busca da perfeição, do movimento e da emoção exatos, de se entregar totalmente ao personagem, muitas vezes não conseguindo separar um do outro. O filme vai passando e mostra os esforços de Nina que quer de todos os jeitos ser escolhida a Rainha dos Cisnes, em O Lago dos Cisnes, e assim gradativamente percebe-se que quanto mais perto dos personagens ela se encontra mais perturbada Nina vai ficando. Essa perturbação da bailarina é alicerçada na exigência que todos depositam nela, no tempo que vai passando sem se destacar e na ameaça de outras bailarinas mais novas e ambiciosas querendo ocupar o seu lugar.
A mente de Nina pira, literalmente, o seu lado emocional aflora tanto até que ela sinta esses efeitos na pela, literalmente de novo. E isso só aconteceu de uma forma tão fantástica pela incrível Natalie Portman, que deu vida a esse papel de uma forma beirando a loucura. Sabendo exatamente o tom certo da personagem, na medida, conseguindo flutuar da menina doce e submissa do primeiro ato, que interpreta o cisne branco divinamente até quando enfim ela perde essa inocência e se entrega ao cisne negro na procura da perfeição tão requisitada. Juntar essas duas partes pode não ser tão fácil como parece, fazer com que o negro e o branco virem um só, mantendo as diferenças é um trabalho que mexeu com a cabeça de Nina de uma forma irreversível, como mostrado no filme, beirando a insanidade o tempo todo.
Além de Natalie outros atores maravilhosos deram tom ao filme e completaram a obra, tanto a mãe dela que se apóia na filha, para realizar o seu sonho perdido, o diretor da companhia de dança que ajuda a aflorar, provocar o cisne negro que existe em Nina, seu lado obscuro que ainda não despertou e principalmente a ótima atriz Mila Kunis, a qual é uma rival de Nina na companhia, e é vista pela bailarina como uma ameaça pela sua beleza e sensualidade natural. A personagem de Kunis está sempre comendo pelas beiradas o que perturba seriamente Nina.
O longa é dirigido por Darren Aronofsky, um diretor incrível que tem muitos filmes ótimos em seu currículo, tais como Réquiem por um sonho, Fonte de Vida, O Lutador, entre outros. A câmera de Darren em Cisne Negro por vezes é tão íntima que parece que estamos bisbilhotando a vida íntima da personagem, a sua luta pela perfeição, as suas frustrações e vitórias, e principalmente as suas transformações, é tudo tão pessoal.
Muito além do que um filme que fala sobre a arte do balé, a vida dos bailarinos, a cobranças nesse ramo, é uma obra que adentra no psicológico, tanto dos personagens, como da gente. Cisne Negro vem para nos mostrar o quão reféns nós somos de nós mesmos.

Lembrando que Natalie levou os Oscar de Melhor atriz em Março, Aronofsky o Oscar de melhor diretor, e que infelizmente Cisne Negro perdeu o Oscar de melhor filme para O discurso do rei.

Marília Dalenogare.

domingo, 27 de março de 2011

Geração Harry Potter



A maioria das pessoas nascidas na década de 90 sabe o que é crescer, literalmente, com Harry Potter. É outra coisa acompanhar uma saga onde os personagens crescem e regulam de idade com nós. A gente assiste os personagens mudando, e é como um espelho. A cada filme com a progressão da saga o amadurecimento deles e da história é visto de camarote. E ano passado, o penúltimo capítulo estreou, e foi tão diferente e foi demais! Não se pode dizer que a diferença entre os primeiros volumes e o penúltimo foi apresentada de uma forma bruta, foi gradual, aos poucos o clima foi mudando para o que agora é um Harry Potter um pouco mais amargo, onde as coisas não podem mais acontecer sem deixar uma marca.
Podem até dizer que Harry Potter é modinha, que é coisa de criança ou tudo o mais que dizem os desfavoráveis. Eu discordo, Harry Potter é toda uma geração, e não deixa de me surpreender, tanto nos livros, como principalmente nos filmes, que não decepcionam. Relíquias da Morte não é sutil em nos mostrar a diferença entre ele e a pedra filosofal, por exemplo, entre a história que agora é madura, que nos apresenta a solidão e o medo dos personagens, onde eles deixaram Hogwarts e os seus tutores que sempre consertavam tudo para trás, os problemas deixam de ser aqueles em que eles só se metiam em confusão por serem desobedientes. Agora, eles tratam de problemas de gente grande.
É engraçado como hoje em dia quando a gente assiste a pedra filosofal ou a Câmara Secreta parece tão infantil, por vezes até meio bobo, mas não é isso, assistindo naquela época era tão sensacional e o filme não mudou nada, a gente que cresceu e que espera mais do filme, exatamente o que Relíquias da Morte nos oferece.
A primeira parte do fim, é estranhamente triste e melancólica, tão cinza, tão diferente do que foi apresentado antes, é notável como os personagens mudaram, não fisicamente, mas com outros problemas e outras ambições que pairam sobre esse filme que trata principalmente sobre amizade.
Olhando o penúltimo filme não tem como não pensar que a saga ta acabando e ficar triste com isso, foram dez anos, ano depois de ano esperando o novo filme estrear e depois que acontecia o que restava era esperar o próximo. Harry Potter vai acabar, as pessoas vão ficar triste e vão procurar outra história que preencha o lugar dele (não substitua), uma história que pegue onde HP soltou, para nos acompanhar nos próximos anos. Mas pra quem não vai abandonar o bruxinho, só o que resta é pegar os livros ou ir a uma locadora e matar a saudade, mesmo que agora o começo não pareça mais tão legal como antes. É assim mesmo, a gente cresceu e deve ficar grata por Harry Potter também ter crescido, ou a gente não chegaria até aqui com ele.

Marília Dalenogare.

domingo, 14 de novembro de 2010

Feliz Ano Velho!



O ano precisa estar acabando para as pessoas verem que ele não foi melhor que o anterior. Vendo por esse lado que perda de tempo aquelas promessas todas ein? É sempre assim, arrisco dizer que é um círculo vicioso todas essas superstições de ano novo, não que eu não acredite nelas, mas em uma delas eu não acredito: nas promessas. Todo ano a mesma coisa, emagrecer, ganhar dinheiro, arrumar um namorado e blá, blá, blá. Isso acontece todos os anos, como as pessoas ainda não viram que elas raramente se realizam assim do nada? São muito tapadas mesmo.
Eu não to falando que as coisas não podem melhorar para alguém no novo ano que dá as caras, porém não é assim do nada que as coisas mudam, apenas pedindo, é com esforço e fazendo alguma coisa. De nada adianta sentar no sofá, comer feito uma porca e esperar emagrecer como resultado de promessa do novo ano. Ó doce ilusão. Isso não vai acontecer, sorry!
Todo mundo fica o tempo todo falando que um ano novo virá e tal, até parece que os anos anteriores serão apagados e todos começarão do zero, não funciona assim, depois que o porre de espumante acabar, você verá que os seus velhos problemas ainda estão ali, quase gritando “surpresa” pra você e provando que o ano novo nada mais é do que a troca de calendário!
E agora que o ano está acabando de novo, como todos os anteriores você verá que esse ano foi tão ruim como os outros, e que aquelas promessas todas feitas regadas a álcool não se realizaram e que você já está pensando no pedir de novo na próxima virada. Isso é triste.
Ano novo só é realmente novo quando alguém decide fazer do próximo ano um ano diferente, não calçado em superstições, mas em algo mais sólido, palpável. Ninguém deve abandonar a lentilha e nem a carne de porco, porém não são somente elas que irão modificar a sua vida. E se você pediu para emagrecer, elas vão até piorar.
Agora pense bem, aquele fiasco do dia 31 no qual você não só bebeu demais, mas fez várias outras coisas demais valeu a pena? Toda aquela comemoração exarcebada e vergonhosa deu resultado? Não sei não. Aposto que o Sr. Ano Novo deve rir de toda essa ingenuidade e usar fones na virada de ano, eu não gostaria de ser ele, até porque meu ouvido não é pinico. Só me resta algo, desejar Feliz Ano Velho.

Marília Dalenogare

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

The Big Bang Theory



Eu vou confessar que eu não era muito fã de séries, não conhecia muito e nem gostava do modo como as histórias se alongavam, não que eu ame séries agora, ainda não, mas eu to conhecendo algumas legais e vendo o quão boas elas podem ser. Exemplo disso é a hilária e inteligente The Big Bang Theory, uma série que já está na sua quarta temporada, a qual está passando atualmente, que começou a ser exibida em 2007 e meio que é um super sucesso, e eu sei porque. Ela é uma série de comédia, diria que das boas, mas não é essa comédia pastelão dos filmes atuais, mas uma comédia inteligente feita pelos personagens, os quais são verdadeiramente engraçados –com a ajuda dos ótimos atores logicamente- e transformam um simples texto em uma coisa muito divertida.
A série tem como plano de fundo a física, os laboratórios de pesquisas, histórias em quadrinhos, super-heróis e tudo mais que existe no mundo dos nerds. Ela conta a história de Sheldon e Leonard, dois físicos que dividem apartamento e que só tem dois amigos insuportavelmente nerds também, até que chega uma nova vizinha no prédio e mexe com o comportamento desse quarteto bem tapado. Mas isso não tem nada a ver com Show de Vizinha, pois pode lembrar, não, é muito melhor e muito mais inteligente.
Essa série é feita principalmente para pessoas que gostam do mundo virtual, de quadrinhos, para geeks, melhor dizendo, pois o texto dela é feito todo a partir disso, e acredita na inteligência da audiência, pois as piadas são bem boladas e o roteiro não trata o público como um bando de idiotas e toscos com situações manjadas e blá blá blá.
Não é que eu não goste dos outros personagens, mas o grande sucesso da série com certeza se deve ao Sheldon, um físico muito inteligente, anti-social, neurótico e com muitas manias estranhas e bizarras. Ele é tão engraçado e estranho, a personagem é simplesmente sensacional. Mas claro que os outros também são responsáveis pelo sucesso da série, mas talvez um pouco menos do que o Sheldon. O ator demonstra principalmente nas últimas temporadas como ele já está totalmente confortável com o papel, de uma forma intrínseca.
O que também é interessante é que ela não vai perdendo a graça ao longo das temporadas, ela segue do mesmo jeito, alguns não gostam disso, dizem que é sempre a mesma coisa e tal, mas não tem porque mudar se é tão bom assim.
Outra coisa deliciosa é a música da abertura da série, é demais mesmo. Com certeza essa série foi uma das melhores descobertas minhas esse ano, eu sei que eu estou meio atrasada, mas estou recuperando o tempo perdido e já sou uma grande fã. A melhor série de comédia de todas, não sei se a culpa é dos atores, das personagens, do roteirista, não importa, só sei que isso funciona muito bem junto. Bem demais até, que a gente se pega pensando “Meu Deus como eles conseguiram pensar nisso?”.


Marília Dalenogare.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Síndrome de contos de fada




Uma crítica que eu geralmente ouço e acho bem sem cabimento sobre cinema é sobre a ausência de finais felizes nos filmes. Eu sei, que em comédia romântica é quase obrigatório e que em outros gêneros também é legal, eu não sou uma anti-felicidade, mas é que as vezes tem filmes que pedem algo além disso, além do óbvio, que lidam com uma coisa mais subentendida, mais nas entrelinhas e as pessoas cagam em cima desses filmes, acham uma merda, isso é porque elas não entendem o que aquilo quis passar, o que aquele silêncio, o que aquela coisa vaga significavam, e daí pra variar já saem criticando. Olha essa síndrome de contos de fada atacando as pessoas, a maioria das pessoas já vem mal acostumada desde a infância quando são apresentadas aos contos de fadas e todas aquelas princesas felizes e felizes, que só sabem ser feliz.
Será que sou só eu que vejo beleza em fins tristes e dramáticos? Acredito que não e sinceramente espero que não. Não é só porque aquele casal não acabou junto que o que eles viveram juntos não valeu, é algo assim. Porque se você parar para pensar sobre depois que o filme acaba, o que resta? Felicidade eterna? Não, pode apostar que não, será que aquele casal que se acertou no final do filme nunca mais vai brigar e vai viver em um mundo doce e de perfeita harmonia? Absolutamente não. Então é só você pensar que o roteirista do filme está te poupando de ficar imaginando o depois e já faz eles brigarem ali pra gente entender o que acontece, nos adiantou um tempinho, como se ele nos mostrasse o futuro nos mostrando o presente. Olha que gentil da parte dele.
O que os personagens viveram foi legal, eles foram felizes, mas não quer dizer que eles tenham que passar o resto da vida sorrindo, é castigo demais, isso é só pro Coringa.
É por isso que eu gosto de filmes do Woody Allen, por exemplo, porque ele nos mostra algo mais próximo do real, algo mais palpável, do que a maioria dos outros, ele nos mostra que o grande final feliz não existe, pode existir sim uma longa vida feliz dos personagens, mas não apenas um momento onde eles são felizes e as letrinhas sobem, por isso os finais dos filmes dele são meio abertos, pois os momentos felizes podem vir ou não, de uma forma natural.
Um bom exemplo disso que eu to falando é o filme 500 dias com ela, onde o casal não fica junto no final, e eles não morrem por isso, a vida segue normal, tanto ele quanto ela arrumam outras coisas para fazer além de cortar os pulsos, e é um filme ótimo mesmo assim, na verdade eu acho que ele é ótimo por ser assim,
Mas é óbvio que em determinados filmes um final feliz é o certo, não que isso seja errado, o chato é as pessoas não saberem apreciar os filmes que não tem um final redondinho e nauseante. E eu concordo que quando se trata de romance o melhor é tudo dar certo no final, mas também tem alguns filmes legais, onde as coisas não dão certo e é bem legal também. O lance é saber apreciar o que o filme quer te dizer e não crucifica-lo por ele não ser tão hiper, mega, super feliz. Na verdade o grande barato é enxergar beleza nas coisas tristes e nas coisas naturais. Isso é arte. Isso é a sétima arte.

Marília Dalenogare

sábado, 2 de outubro de 2010

Se for pra ser romance que seja clichê!




Se for pra ser romance que seja clichê. Não adianta, ninguém vai procurar por um filme de romance sem querer ver aquela coisa toda melosa na tela, que chega até ser enjoativo, mas a maioria das pessoas gosta disso, é fato. É difícil alguém ficar feliz com um filme onde o enredo e desfecho são diferentes, é por isso que muitos filmes alternativos, que inovam não emplacam entre o público, claro que salvo algumas exceções, porém não falaremos das exceções aqui. Mesmo criticando todo mundo quer um incentivo cinematográfico para acreditar que o amor pode dar certo. Ó doce ilusão, essa gurizada não tem jeito. Mas é assim, é uma coisa automática desejar que tudo dê certo. Mas nem tudo são flores, tem que ter também a parte da briga, porque sem briga não pode haver reconciliação. Ó lógica! Pois o clímax desses filmes é justamente a parte da retomada onde todos ficam felizes e sorrindo feito idiotas ao assistir o filme. Por isso vai aqui uma pequena lista de filmes românticos bons, clichês, porém bons, os quais têm todos os ingredientes que um filme de romance dos bons devem ter, isso incluindo aquela parte enjoativa do auge da declaração de amor. É cafona, brega, porém imprescindível e necessário para o gênero. Let’s go!

Diário de uma paixão
(2004): Os flashbacks do passado dão um charme e um diferencial especial à história. Ótimos atores e um final lindo. De chorar.

Um amor para recordar
(2003): Tem umas cenas bem melosas, uma história típica de conto de fada, mas tenho que admitir que é bem bonito, melosamente bonito.

O despertar de uma paixão
(2007): Uma descoberta do amor em meio a um lugar inapropriado. O mais legal desse filme é que a descoberta se dá após o amor acabar. Muito bom.

Uma linda mulher (1990): Julia Roberts e Richard Gere em ótima forma. Um clássico dos anos 90, não tem como não gostar. A simplicidade do filme e da personagem de Roberts é incrível. A música do filme também é bem chiclete, você fica cantarolando "pretty woman" por um bom tempo.

Letra e música
(2007): Toda a cultura pop dos anos 80 do filme, a Drew Barrymore e até o Hugh Grant fazem desse longa leve e divertido. A cantora com quem ele faz a parceria também resulta em cenas bem engraçadas.

Nunca fui beijada
(1999): O melhor da Drew Barrymore, a retomada da vida um pouco tarde é um bom tema para filmes românticos. Deu certo nesse.

Vestida para casar
(2008): Uma comédia romântica divertida e bem engraçada. Katherine Heigl e aqueles vestidos todos ta bem engraçado.

De repente é amor
(2005): Um filme bem interessante, é romântico, tem todos os elementos desse gênero, tem final feliz, mas consegue ser diferente. A cena e que ele canta Bon Jovi é realmente alguma coisa!

Esses são alguns exemplos de filmes românticos que honram o gênero. Poderia falar de outros, mas não me estenderei mais. Vale a pena conferir esses longas, eles só podem ser perigosos se você for diabético, caso contrário vai firme!

Marília Dalenogare.

domingo, 12 de setembro de 2010

Algo se salva! Aleluia!




Todo mundo pode falar que os filmes da saga crepúsculo são meio toscos, mal feitos e mal adaptados, tudo bem, vocês estão certos, eles são isso mesmo, fazer o que, realidade é realidade. Eu, por exemplo, gosto muito dos livros, mas em relação aos filmes não gosto mesmo, e fiquei muito decepcionada com o que vi, como disse Felipe Neto “eu vi e fiquei triste”, eles estão tentando melhorar, mas já começou bem ruim, mesmo que melhore um pouco não vão ficar bons, só se refizer tudo (o que não é uma má idéia). Porém, entre tantos fatores negativos, tanta decepção do público e tanto dinheiro para eles, uma coisa é fato e não dá pra negar, um crédito que os filmes têm, e ninguém pode tirar por generalizar a qualidade da obra em todos os aspectos, é que sua trilha sonora é muito boa, ela é tão indie e com uma batida leve de rock, que eu acho incrível, e se enquadra perfeitamente na história, deixa os filmes com um ar meio independente, sei lá, meio despretensioso, o que seria bom se fosse na realidade, pois o grande assassino da saga é a sua popularidade e o que ela pode lucrar. Ela conta com grandes nomes do cenário mais alternativo musical, tem coisa comercial também, mas que não deixa de ser boa por isso. Dentre eles podemos citar: Vampire Weekend, Florence + the Machine, Muse, The Killers, Radiohead, Thom Yorke (sem Radiohead, ou com, em uma fase mais egoísta), Paramore, The Dead Weather, Lykee Li, Grizzly Bear, e mais muita gente fod*, e pouco conhecida, dos circuitos Nova Yorkinos e de outros lugares também. Ta aí então, um aspecto positivo dessa saga cinematográfica que acabou decepcionando a maioria dos fãs da história ao acrescentar e fazer se sobressair o lado super comercial do cinema, pelo menos em algum fator ela acertou. Ainda bem, assim a gente aproveita o som e esquece um pouco do que poderia ter sido.

Marília Dalenogare.

sábado, 4 de setembro de 2010

Páginas amarelas





Romances são romances. Não adianta, muitos inovam, mas não tem como fugir de um pouco de clichê, mas não tem jeito quem se dispõe a assistir um filme romântico sabe que será assim, não venha dizer que não foi avisado, e mais, sabe também que provavelmente o filme se desenrolará para o famoso final feliz, pois é, salvo algumas exceções é assim mesmo que acontece, e também não adianta dizer que você não torce para que o casal fique junto, é natural, é automático.
Pois é, e no meio de tantas opções que surgem para nós, sempre se consegue achar uma especial, um filme legal, este do qual vou falar não é necessariamente original, na verdade, pensando bem ele é até bem clichê, mas dane-se ele é leve, divertido e é um dos meus preferidos, na verdade nem sei muito bem por que.
Estou falando do filme Muito bem acompanhada, um filme de 2005 com a Debra Messing e o charmoso, elegante e sensual Dermot Mulroney, pois é, eles são o casal principal e dão vida a Kat e Nick, ela uma solteira insegura e abandonada pelo noivo, ele um acompanhante de aluguel encontrado quase que nas páginas amarelas, que irá acompanhar Kat no casamento da sua irmã mais nova, no qual o padrinho é o ex-noivo da Kat e a família toda fica o tempo todo repetindo que era a Kat que tinha que se casar antes da irmã.
O filme é muito simples, tem uma fotografia legal, sem grandes enredos, mas é esse o grande valor dele, a simplicidade, e, além disso, ele é bem engraçado, com situações cômicas e um desfecho que te deixa o filme todo com um sorriso na cara. O casal principal é muito legal, ela é tão louca, insegura e engraçada, que contrasta com ele que parece que sabe tudo de tudo, seguro e muito charmoso, de verdade.
Assim vai decorrendo o filme, em meio a uma família louca e alguns problemas que aparecem pelo caminho junto com a identificação do casal, que vai se dando de uma forma bem legal, com uma áurea de paixão gritante.
O longa ainda tem uma trilha sonora em pontos-chave, bem acertada que casa bem com o momento. Na hora em que toca a música do Maroon 5 é incrível, meu Deus, é uma coisa quase sussurrada, fica tão sexy.
Além disso, Nick nos presenteia com conselhos sobre relacionamentos, onde ele defende a máxima de que toda mulher tem exatamente a vida amorosa que deseja. Olha só! Não é que ele até tem um pouco de razão, para o desespero de Kat. O cara é inteligente.
Essa é mais uma comédia romântica sim, mas uma daquelas que por algum fator se diferencia das outras, mesmo tendo na verdade muita coisa igual. Pode ser pelo carisma da protagonista, pelo olhar do protagonista, ou sei lá porque, mas ela tem algum ingrediente, que a deixa mais parecida com a vida real, sem grandes efeitos e reviravoltas, somente com histórias que vão se desenvolvendo simplesmente sem grandes mistérios, como na vida real. Uma boa pedida, fica ainda melhor se você assistir muito bem acompanhada.

Marília Dalenogare.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Uma outra roupagem





Uma questão bem interessante para ser analisada em muitos filmes, para quem gosta de boas atuações inesperadas é o uso de atores cômicos em filmes ou papéis mais dramáticos. É uma mudança de ares bem importante, pois parece que eles se esforçam mais, parece não, acredito que eles se esforcem mesmo, pois na comédia eles já estão garantidos e consagrados, o drama é um campo novo e desconhecido que eles têm que atuar com maestria. Onde eles precisam provar todo o seu talento como no início da carreira, como se seu currículo tivesse sido apagado e eles tivessem que construir sua história novamente.
E é aí que eles mostram sua qualidade, porque atuar é isso, é entrar em todas as áreas, principalmente com competência em todas, porque saber fazer só uma coisa, com uma receita pronta qualquer um sabe. Ok, nem qualquer um, mas essa é a idéia.
Talvez isso aconteça comigo por eu não ser muito fã de comédia, só gosto das boas, cada vez mais raras, e sendo assim não sou fã de carteirinha desses astros metido a piadista, e vê-los em outro estilo de filme, com outras caretas e expressões se torna uma grata surpresa. Isso já vale a locação.
Exemplo disso são 3 atores hollywoodianos, figuras conhecidas e engraçadas. São eles: Steve Carell, Jim Carrey e Adam Sandler. Representando personagens dramáticas nos filmes, respectivamente: Pequena Miss Sunshine, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Reine Sobre Mim. Filmes interessantes e atuações bem legais, vale a pena conferir.
Tem algo de interessante ao ver naquele rosto geralmente risonho um cenho triste e preocupado. Tem algo de novo naqueles rostos tão conhecidos. Você é pega de surpresa e é aí que está o mais interessante, a surpresa, melhor ainda se for boa.

Marília Dalenogare.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Adorável Juno


Eis que há um filme que quase ganhou uma estatueta dourada, pois é, quase, uma pena, pois com certeza ele tinha calibre pra isso e que nos ganha pela sua simplicidade e grandes diálogos. Uma história apaixonante, leve e com uma pitada de vida real e normal incrível. Este é Juno.
Juno é um filme meio pop e seu lado e visual independente é gritante, ele fala da história da menina Juno, uma adolescente de 16 anos que engravida de um carinha do colégio e que após se dar conta que não tem condições de ficar com a criança decide dar seu filho para adoção, é assim mesmo, simples ela procura em um lugar parecido com os classificados pais para o seu filho e acaba encontrando um casal com pinta de casal perfeito, mas nem tudo são flores.
Quando as pessoas vêm a temática adolescente grávida, todo mundo pensa que é uma história clichê e cheia de lição de moral. Não é, e acredite, Juno é bem diferente. Ele simplesmente não trata da evolução da gravidez dela, mas sim de como Juno recebe essa novidade, lida com ela, conhece a família adotiva e se afeiçoa a eles, algo do tipo.

Além do mais, Paulie, o pai da criança é simplesmente ótimo, ele é feito pelo ator Michael Cera, que representa com maestria aquele garoto bobo e magricela que adora balinhas de laranja. O ator consegue imprimir traços do seu personagem muito bem, como a insegurança, as dúvidas e tudo o mais que acompanha um adolescente que vira pai. Para ter uma idéia da moral dele, quando a Juno conta pro pai dela que ta grávida dele, ele diz algo do tipo: “Não achei que ele fosse capaz”.
O elenco todo do filme é muito bom, tanto o pai de Juno quanto a madrasta dela que é meio tarada por cachorros. Os pais adotivos também são ótimos. Quem dá vida a Juno é a atriz Ellen Page, uma graça de moça, com muita atitude e esperteza, ela enfrenta a gravidez de um modo bem diferente, mas não deixa de transparecer a preocupação que essa situação exige.
O melhor do filme é que aos poucos todos os personagens vão encontrando seu caminho, inclusive os pais adotivos que começam a rever a sua vida de casado após a chegada de Juno, eles aparentemente parecem o casal 20, feliz, bem de vida,com um único problema: a mulher não consegue engravidar e ela é louca para ser mãe. O marido acaba percebendo que todas as suas coisas estão em caixas em uma sala, que na casa limpa e impecável deles não tem lugar para suas guitarras e seus discos.
O filme tem vários diálogos remetendo a algo mais pop, fala de música, de filmes, de comportamento, onde em meio a essas conversas aos poucos Juno vai se identificando com a família que será a família de seu filho. A menina é muito espirituosa, metida a engraçadinha e ela é mesmo bem engraçada, cheia de frases e insinuações bem humoradas.
Ah, outro ponto ótimo do filme são os cenários, que caracterizam demais os personagens, exemplo disso é o telefone em forma de hambúrguer de Juno, isso é a cara dela.

Toda a abordagem do filme, todo o crescimento da protagonista com relação a uma gravidez indesejada é tudo, menos clichê, isso que é meio louco, não que o filme seja leviano ou superficial, não isso, porém o filme trata mais do modo como a adolescente se porta nesse tempo e encara essa doação, como a sua família e seu “namorado” se sentem com relação a isso. É uma progressão. Uma deliciosa e delicada progressão.
O filme tem uma trilha sonora muito boa também, tem gente como Sonic Youth, Cat Power e ainda tem um dueto dos protagonistas em uma música muito gostosa de se ouvir, um dueto suave, o qual fecha o filme com a chave de ouro.
Esse é um filme simples, nada comparado aos padrões hollywoodianos cheios de efeito e vazios de história. Uma produção independente que virou o xodó de muitos festivais, ganhou muitos deles e ainda deixou muitas pessoas com a sensação de injustiça quando ele perdeu o Oscar. Uma grande pedida.

Marília Dalenogare.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

JET




3 cds lançados, remetendo ao bom e velho rock’n roll: Get Born, Shine On e Shaka Rock, essa é a obra da banda australiana JET. Criada pelos irmãos Nic e Chris Cester. É uma banda incrível, para mim pelo menos que gosto de um rock mais puro e original. Eles têm um vocal bem arrastado, guitarras distorcidas e incríveis e também rola como uma das influências da banda seus conterrâneos AC/DC. Olha que incrível. Fica aí uma dica então de uma banda muito legal, com um som meio pesado e que remete mesmo a um rock simples e genial.
Outra colaboração da banda acontece na trilha sonora da franquia Homem-Aranha, JET nos proporciona ouvir nos filmes: “Falling Star” e “Hold On”.
Fica aqui como dica para as primeiras audições “Are you gonna bem my girl?”, “She’s a Genius”, “Cold Hard Bitch”, “Lazy Gun”, “Look What You’ve Done”, “Come on, Come on”, “Eleanor” e muitas outras, se eu continuar eu vou falar de todas, então farei melhor: Ouça todos os Cds!

Marília Dalenogare

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Montanha-russa



Eis que aparece nas prateleiras das locadoras uma nova opção, dentre as já conhecidas comédias românticas, a qual inova no gênero por sua forte influência pop (gritante no longa), seu roteiro incrível e sua pinta de filme independente. É ele o incrível e indie 500 dias com ela, filme estrelado por Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt interpretando Summer e Tom respectivamente.
O legal desse filme é que ele não se enquadra naquela linha de comédias românticas em que eles vivem felizes para sempre. Não, não funciona assim, o relacionamento acabou, e relações acabam, muitas não duram para sempre, bem dizer a grande maioria, é isso que o filme apresenta.



Tom é um arquiteto que não exerce a sua profissão e que trabalha em uma empresa de cartões congratulatórios, ele é um jovem bem parado e sem muitas expectativas até que ele conhece a nova funcionária da empresa, Summer, a qual é muito bonita, moderninha e logo chama a atenção de Tom e vira objeto de seu desejo. Com idas e vindas eles iniciam um relacionamento que dura 500 dias, e o filme gira em torno desse tempo, com flashbacks do início do relacionamento até o fim. Ele se apaixona e não consegue superar o fim do relacionamento, ela não se apaixona, aceita o fim e acaba se casando com outro, para a completa depressão e infelicidade de Tom.
O filme na verdade trata o modo como Tom se sente durante esse tempo todo, tudo o que a gente sabe é pelos olhos dele, a gente conhece Summer pelos olhos do Tom, dependendo de como ele enxerga ela, é muito legal que em partes diversas do filme ele exalta trejeitos que ele adora em Summer, como o fato dela umedecer os lábios antes de falar, e em outro momento ele nos diz que odeia esses hábitos dela. E assim a gente acompanha a história enquanto Tom revive seus momentos com Summer.
Quase todo o filme nos remete as emoções de Tom, a gente sente seu estado de espírito durante todo o longa, como na parte em que ele está feliz e sai dançando e fazendo uma coreografia na rua, ou quando nos é dado um quadro, a tela é dividida em duas e a gente vê o real, o que está acontecendo e na outra parte o que Tom idealizou, o que ele queria que ocorresse.



O filme ainda tem a ajuda de uma trilha sonora incrível, a qual acompanha muito bem o ritmo do filme, bem dizer dita o ritmo do filme, ela faz parte da história. Que passa desde The Smiths a Regina Spektor. O filme bem dizer transpira música, em vários diálogos eles citam grandes bandas e como The Beatles e The Smiths.
O filme se sustenta nessas idas e vindas da história, que vai nos mostrando aos poucos como foi o relacionamento do casal, flutuando pelos 500 dias. Outro ponto crucial do filme é que ele lida muito com o fator identificação, é uma obra simples e com sensibilidade tamanha que nos remete aos nossos próprios relacionamentos. Pois quem nunca amou pelos dois em uma relação? É aí que a maioria das pessoas se identifica e se torna uma história pessoal, o filme se torna a sua história. Esse é o maior mérito do longa.

Marília Dalenogare.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pride and Prejudice



Aqui vou eu de novo falar de Orgulho e Preconceito, mas relaxem agora é do filme. Já deu para perceber que eu sou meio que pirada nessa história. Ok. Eu admito. É uma belíssima obra da Jane Austen que deu origem a um filme a altura. Ele conta com Keira Knightley e Matthew MacFadyen no elenco, e tipo eles meio que literalmente encarnaram seus personagens, e isso é incrível. Sei lá, leigamente falando eu não gosto de adaptações de livros para o cinema, eu acho que elas ficam desastrosas, claro que há exceções, como essa da qual vos falo.
O filme narra a história do casal protagonista, como eles se conheceram, seus desentendimentos, a influência de todos no seu relacionamento, os próprios preconceitos dos personagens que impedem os mesmos de admitirem o que sentem, e o desenlace dessa história.
A história é uma verdadeira história de amor, das boas, com brigas, ódio e identificação aos poucos, porém ela é diferente, eu não sei explicar o que, nem como só sei que ela chamou a minha atenção de uma forma que muitas outras não chamaram. Ela tem um diferencial. O modo como a relação vai progredindo é incrível, aos poucos e com artifícios externos que a impedem de dar certo, como em muitas histórias não é a família que briga ou impede o casal de ficar junto, a mãe da mocinha só quer que ela se case bem, com um marido rico, não importando com quem for, o seu pai só quer ficar na biblioteca e o seu bando de irmãs só querem saber de bailes e militares. Fugindo assim de alguns clichês, o que não impede que caia em outros, mas sinceramente eles não pesam muito na história.
O filme conseguiu captar a essência e o charme do livro. É claro que algumas partes ficaram de fora e outras foram exploradas superficialmente, porém isso foi quase insignificante perto do resultado e a gente tem que entender que é baseado em algo e não uma obra fiel.
O filme tem uma fotografia incrível, é lindo e mantém uma atmosfera do século XVIII. Os personagens também são interessantes e não são mocinhos, são humanos. O Matthew conseguiu imprimir a personalidade do Mr. Darcy para si de uma forma completa, o seu orgulho, o seu porte e tudo mais, é bem como eu imaginei lendo o livro. E a Keira faz uma Elizabeth Bennet determinada, corajosa, porém com as fraquezas que a personagem apresenta ao longo da história, mesclando essas duas partes e compondo uma personagem final completa e coerente com a qual Austen criou. Eles montaram um casal com emoção e sensibilidade, sem precisar de contato físico para demonstrar o seu amor.
Então aqui não só fica uma dica de filme, mas sim uma dica de história, de obra, de adaptação. Um filme muito legal mesmo, que mostra uma verdadeira história de amor, com todos os percalços que uma dessas pode ter. E você ainda vai querer levar o Mr. Darcy para casa no final, como um brinde, e que brinde.

Marília Dalenogare